Sistema Suinocultura Sustentável

Desafio/Oportunidade
A suinocultura demanda destinação adequada dos dejetos de suínos, para evitar que o lançamento deste no solo degrade o meio ambiente ou contribua para a emissão de gases de efeito estufa. A Sadia atua com produtores de suínos e identificou uma oportunidade de contribuir para a reversão dos efeitos nocivos da produção a partir de um programa de tratamento de dejetos.

O projeto
O Sistema Suinocultura Sustentável (3S) consiste na instalação de biodigestores em granjas de produtores de suínos, próprios ou integrados da Sadia. Trata-se de um projeto de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) de adesão voluntária, destinado a promover desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Execução
Pesquisa & Desenvolvimento
Consistiu no estudo, desenvolvimento, testes e verificação de novas tecnologias e de sua efetividade em campo.

O Programa teve diversas etapas de desenvolvimento tecnológico:

A.Implementação
Primeiramente foi realizado o mapeamento do perfil social, econômico e ambiental dos suinocultores a fim de verificar a viabilidade de implementação do projeto em suas propriedades. Identificados os integrados que poderiam participar, 1.100 aderiram voluntariamente ao Programa, estando estes localizados nas cidades de Concórdia (SC), Lucas do Rio Verde (MT), Toledo (PR), Três Passos (RS) e Uberlândia (MG). A elaboração do projeto físico foi idealizada conjuntamente com os fornecedores e a equipe Sadia devidamente capacitada para acompanhar esta etapa de operação.

B.Registro e Creditação na ONU
Para ter sua geração de crédito assegurada foi necessário formalizar a aprovação do Programa 3S  como  Projeto de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo previsto no Protocolo de Kyoto) pela ONU / UNFCC (United Nations Framework Convention on Climate Change).

C.Operação
Ação contínua que consiste na etapa de manutenção dos equipamentos no campo, zelando pelo seu bom funcionamento, upload dos dados gerados a partir da queima do biogás, gestão dos indicadores de queima e garantia da eficiência e performance do sistema, além da efetuação de ações corretivas pontuais.

D.Recuperação Financeira
A recuperação financeira inicia-se a partir do momento em que o projeto, já registrado, começa a gerar os créditos de carbono e estes são certificados por empresas credenciadas da ONU para, posteriormente, negociar  os créditos no mercado de Kyoto. Com essa receita, é possível pagar os investimentos realizados na implantação dos equipamentos no campo e na operação do programa. Essa recuperação financeira é calculada tanto no nível geral do programa, como também no nível individual, de acordo com a realidade produtiva de cada produtor integrado.

E.Engajamento de produtores integrados
O engajamento com os produtores  inicia-se no levantamento sócio-econômico e ambiental de seu negócio e permanece em todo o relacionamento decorrente de sua entrada ao Programa. Passa pelos técnicos e equipe dedicada ao 3S até as comunicações institucionais.

F.Desenvolvimento Tecnológico
Os projetos de desenvolvimento tecnológico permeiam a operação do projeto e os resultados do Programa. Foram desenvolvidos sistemas para aproveitamento alternativo do biogás, como por exemplo a queima do biogás em motores para geração de energia e utilização da mesma nas propriedades dos participantes do Programa 3S. Outro desenvolvimento tecnológico foi o desenvolvimento de tecnologias alternativas para operação e aumento de eficiência em biodigestores. Também realizou-se outro projeto de desenvolvimento tecnológico para otimização do sistema de armazenamento, contabilização e gerenciamento da produção de créditos de carbono.

Principais resultados obtidos
Objetivos Iniciais
1. Redução dos impactos ambientais provenientes da atividade suinícola;
2. Redução de emissões de gases de efeito estufa;
3. Redução de odores;
4. Afastamento de vetores prejudiciais à saúde.

Objetivos adicionais
1. Abrangência de 1.100 fornecedores;
2.  Desenvolvimento de um modelo brasileiro de biodigestor adequado à realidade dos produtores locais a um custo acessível;
3. Desenvolvimento do sistema de queima de biogás inovador e de um sistema eletrônico de gestão dos dados gerados.
4. Desenvolvimento de soluções tecnológicas aos fornecedores para o aproveitamento energético do biogás além de projetos de aproveitamento dos resíduos.
5 . Desenvolvimento de uma equipe interna para adequar o projeto à uma metodologia nova de geração de crédito de carbono, fazendo com que a empresa se torna a primeira empresa do mundo  no setor de alimentos, a ter o projeto aprovado na ONU, utilizando a metodologia POA (Programme of Activities), para comercialização de crédito de carbono.

Conclusão
Este projeto está contribuindo para que os produtos derivados de proteína de suíno sejam resultado de processos com redução de impactos ambientais, entre eles a redução das emissões de gases de efeito estufa, obtida em uma parte da cadeia de produção.